Como os vinhos de baixo teor alcoólico estão mudando a forma de beber no Brasil
- Cris Jardim
- há 19 minutos
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Leves, refrescantes e versáteis, rótulos com menor teor alcoólico ganham espaço no calor e revelam uma mudança profunda no comportamento do consumidor brasileiro.

Enquanto o mundo discute saúde, bem-estar e novas formas de consumo, o Brasil começa a refletir essa transformação também no copo. Vinhos de baixo teor alcoólico, antes vistos como produtos de nicho, passam a ocupar um espaço cada vez mais relevante na rotina de consumo, especialmente em períodos de calor e em ocasiões sociais mais informais.

A tendência acompanha um movimento global. Estudos recentes indicam que mais da metade dos consumidores reduziram a ingestão de álcool nos últimos anos, motivados por escolhas mais conscientes, qualidade de vida e busca por experiências mais equilibradas. Esse comportamento impulsiona a expansão da categoria conhecida como low & no alcohol, que cresce de forma consistente no mundo e começa a influenciar diretamente o mercado brasileiro de vinhos.

Segundo a consultoria internacional International Wine & Spirits Research (IWSR), o mercado global de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico ultrapassou US$13 bilhões em 2023 e segue em trajetória de crescimento. No Brasil, embora o vinho tradicional ainda lidere as vendas, categorias mais leves, como espumantes suaves, vinhos adocicados e rótulos pensados para consumo refrescante ou em drinks, vêm ganhando protagonismo, sobretudo durante o verão.
Para o sommelier Tiago Locatelli da Decanter Vinhos, essa mudança vai além de uma preferência sazonal. “O calor brasileiro pede bebidas mais leves, mas o que estamos vendo é algo mais profundo. Existe uma mudança real na forma como as pessoas querem beber: com mais consciência, mais frequência e menos excesso”, afirma.
Leveza, frescor e versatilidade no copo
Na Decanter Blumenau, rótulos como Bossa Bellini e La Linda Sweets se tornaram exemplos claros dessa nova dinâmica de consumo. Ambos apresentam menor graduação alcoólica, perfil aromático e versatilidade, características que dialogam diretamente com o comportamento do consumidor atual. “O Bellini é um coquetel suave e aromático, ideal para climas quentes, brunches e drinks misturados com frutas frescas. Já o La Linda Sweet é um vinho leve, frutado e com menor graduação alcoólica, que funciona muito bem tanto puro quanto em coquetéis leves”, explica Locatelli.
Segundo Locatelli, esses vinhos não são apenas opções pontuais para o verão. “Eles representam uma mudança cultural. Durante muito tempo, o vinho esteve associado a ocasiões formais e a um teor alcoólico mais elevado. Hoje, o consumidor quer leveza, frescor e liberdade para consumir o vinho de outras formas, sem abrir mão do prazer”.
Essa nova relação com o álcool também amplia o papel do vinho em momentos sociais. “Esses rótulos se encaixam melhor no dia a dia, em encontros ao ar livre, happy hours e até como base para drinks. O vinho deixa de ser exceção e passa a integrar a rotina”, completa o sommelier.
Fotos: divulgação




