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Conjunto de mesa

Como a Salton usa monitoramento climático e manejo sustentável para produzir vinhos e espumantes de excelência

  • Foto do escritor: Cris Jardim
    Cris Jardim
  • há 35 minutos
  • 4 min de leitura

Vinícola revela como estações meteorológicas, fertirrigação inteligente e manejo sem herbicidas estão transformando a viticultura sustentável no Brasil



A excelência que leva os rótulos da Salton a conquistar reconhecimento dentro e fora do país tem origem em um modelo de produção que combina inovação, uso inteligente de dados e responsabilidade ambiental. Na Salton, informações coletadas em tempo real ajudam a orientar o manejo dos vinhedos e reforçam o compromisso da empresa com uma produção cada vez mais sustentável. Temperatura, umidade, radiação solar e outros dados importantes são registrados continuamente por uma estação meteorológica posicionada no centro dos 175 hectares de vinhedos da Azienda Domenico, espaço da Salton em Santana do Livramento (RS). Combinadas à fertirrigação de precisão e ao manejo sem herbicidas, essas tecnologias contribuem para uma viticultura mais eficiente, inovadora e alinhada às boas práticas ambientais.


Essas práticas não são apenas decisões técnicas, mas fazem parte de uma visão de longo prazo sobre o futuro da viticultura brasileira. Ocupando a marca número 1 quando o assunto é espumante brasileiro, a Salton também lidera o desenvolvimento do primeiro Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) escopo 1 e 2 do setor vitivinícola brasileiro. Quando a empresa iniciou esse trabalho, não existia nenhum inventário de emissões no setor no país: a Salton foi a primeira vinícola a realizar esse levantamento. Agora, a marca caminha para o escopo 3, que mapeia toda a cadeia de valor, desde a compra de insumos e matéria-prima até a entrega do produto ao cliente final. Trata-se de um movimento pioneiro no setor vitivinícola brasileiro.


“O vinho e o espumante têm uma relação muito próxima com diversos elementos: o território, o terroir, o clima, o solo e a interação com as pessoas. Quando falamos de práticas positivas, como o cuidado com o solo, a biodiversidade e a redução de emissões, falamos tanto da qualidade do produto, quanto da sustentabilidade, que é compartilhada com o mercado e o consumidor. São práticas que trabalham a longevidade do vinhedo, a resiliência da produção diante dos efeitos climáticos e a continuidade da atividade agrícola”, descreve o diretor-presidente Maurício Salton.


O clima como aliado: cinco anos de dados a serviço do vinhedo



Entre as iniciativas da viticultura de precisão, está o uso das estações meteorológicas da Azienda Domenico, que acumulam hoje um banco de dados climáticos de mais de cinco anos. Estas informações armazenadas orientam decisões agronômicas precisas, especialmente no controle preventivo de doenças fúngicas, como o míldio, principal ameaça às videiras.


A estação monitora cinco parâmetros: temperatura, umidade do ar, velocidade do vento, radiação solar (para cálculo de evapotranspiração) e molhamento foliar. “Quando a temperatura está entre 20 e 25°C, combinada com umidade acima de 70%, a condição se torna altamente favorável ao desenvolvimento de fungos, por exemplo. E é nesse momento que o sistema orienta o técnico sobre a necessidade de reaplicar defensivos preventivos”, explica Junior Marques, coordenador de Viticultura e responsável pela gestão geral da Azienda Domenico.


O resultado prático é a redução de aplicações desnecessárias, com ganhos ambientais e econômicos diretos. Em períodos climáticos favoráveis, o intervalo entre aplicações pode ser ampliado, diminuindo o uso de insumos. A tecnologia, porém, não substitui o olhar humano, conforme explica o especialista: ela potencializa as chances de acerto. “A estação é uma excelente ferramenta, mas ela não decide tudo. O conhecimento técnico, o caminhar na propriedade e a percepção de quem está no campo, um completa o outro. É assim que chegamos a uma viticultura de excelência”, descreve Junior.


Dados que viram ciência: parceria com universidades


Além de servir para iniciativas da empresa, o banco de dados climáticos da Salton vai além do uso interno. As informações coletadas alimentam pesquisas acadêmicas em parceria com universidades, ajudando a compreender por que determinadas variedades se desenvolvem melhor em certas regiões e como as condições climáticas influenciam a qualidade tecnológica das uvas. “Isso é fundamental porque o que antes era apenas conhecimento empírico, como  ‘essa cultivar tem esse potencial’,  agora pode ser comprovado com dados concretos. O cruzamento entre registros climáticos e indicadores de qualidade de safra abre caminho para estudos que beneficiam toda a viticultura brasileira”, explica o especialista.


Fertirrigação de precisão: água e nutrientes no lugar certo



Na Azienda Domenico, a irrigação por gotejamento opera de forma integrada ao monitoramento climático. Sensores instalados em diferentes profundidades do solo registram continuamente a umidade, permitindo controle preciso de tempo, volume e frequência da irrigação.


A fertirrigação, que é a técnica que agrega compostos químicos, orgânicos e biológicos diretamente pela água de irrigação, permite correções objetivas de macro e micronutrientes, evitando desperdícios e reduzindo o impacto ambiental. Em vinhedos recém-implantados, a tecnologia antecipou em até um ano o desenvolvimento das plantas. Já em áreas produtivas, estendeu o ciclo de maturação em até duas semanas, com aumento na concentração de açúcares e polifenois.


A água utilizada provém de barragens próprias, legalizadas para esse fim, coletada durante o inverno - quando as videiras estão dormentes - para uso nas estações mais secas. A gestão hídrica é tema estratégico na Salton, tanto nas atividades industriais quanto nos vinhedos.


Manejo sem herbicidas: uma prática construída de várias mãos


A eliminação total do uso de herbicidas nos vinhedos próprios da Salton, na Campanha Gaúcha, é outro avanço dentro da temática da viticultura sustentável. Desde 2021, a empresa adota plantas de cobertura gramínea em substituição aos herbicidas. As plantas, de ciclo vegetativo de inverno, atuam como barreira natural contra plantas daninhas sem o uso de produtos químicos, e ainda realizam sequestro de carbono, contribuindo para a remoção de gases de efeito estufa. “Por meio de pesquisas desenvolvidas junto às equipes de viticultura e universidades, descobriu-se que o azevém traz ganhos para o solo, como a redução da erosão, o controle de temperatura em períodos de calor mais intensos, a redução na taxa de evaporação e sequestro de carbono, resultando em remoções de gases de efeito estufa. Observamos que com o uso dessa e de outras gramíneas nativas deixamos de utilizar herbicida (produto químico) em nossos vinhedos próprios”, explica o diretor-presidente.


A redução no uso de defensivos em geral também é resultado direto da incorporação de tecnologia nos vinhedos. Por meio do monitoramento de dados climáticos e das condições do solo, a Salton passou a compreender com maior precisão as necessidades reais de cada vinhedo, reduzindo aplicações desnecessárias. Em 2025, os vinhedos de Santana do Livramento foram completamente livres do uso de inseticidas.


Fotos: divulgação

vinho tinto

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